Como é falado na entrevista em naturalização da maternidade não poderia deixar de comentar que este é um dos períodos da vida da mulher, especificamente o momento do parto, em que mais se verifica desigualdade e violência de gênero. Cito uma analogia sobre o trabalho de parto escrito pela antropóloga Emily Martin (2006):
Se dissessem a um homem que ele teria de ter uma ereção e ejacular dentro de um período de tempo específico, caso contrário seria castrado, você acha que seria fácil? Para tornar a coisa mais fácil talvez enfiassem solução intravenosa em seu braço, obrigassem-no a ficar em uma determinada posição, colocassem esparadrapos em volta de seu pênis e mandassem ficar imóvel: ele poderia ser examinado a cada dois minutos: o lençol seria levantado para verificar se ocorreu algum progresso.”
Isto soa ridículo, mas como percebemos na maioria dos serviços de Obstetrícia é adequado quando uma mulher é colocada numa posição estruturalmente análoga durante o seu trabalho de parto e sofre vários tipos de intervenção sem ser informada sobre o que está acontecendo com seu corpo.
Lizandra Flores Pimenta